domingo, 29 de junho de 2008

Férias!

Aproveito o final de mês para dar uma notícia importante aos meus cinco ou seis leitores.

Desde janeiro de 2002 eu vivo escrevendo minhas bobagens na internet por intermédio de blogs. Ao longo desse tempo foram vários e de diversos nomes. Sempre com o objetivo de discutir e compartilhar coisas sobre cultura pop em geral. Nos dois últimos que administrei, ainda comecei a disponibilizar mp3 para downloads, achando que esse seria um combustível a mais no meu já escasso fôlego para o blog.

Não foi!

De modo que nos últimos dois ou três anos tenho atualizado com pouca freqüência. O que faz com que as pessoas não entrem, pois realmente não há motivação. Não há periodicidade nos textos e nem mesma acho que sejam coisas relevantes. Realmente, ando insatisfeito.

Quando isso acontece eu resolvo criar outro endereço. O que não tem se configurado uma solução eficaz. Até pensei nessa solução para esse momento, mas cheguei a conclusão que não é o ideal.

Então, o que farei é sair de férias. Por tempo indeterminado.

Tenho tido pouco tempo pra me dedicar ao blog como gostaria. Além disso, preciso me dedicar mais ao meu trabalho e a escrita. Preciso estudar, me dedicar, me disciplinar. O trampo tem me consumido tempo e dedicação mental. E pela primeira vez isso está me fazendo feliz. Além disso, quero voltar a me dedicar a escrever. De verdade, como não tenho feito nos últimos anos.

Enfim, estas férias são por tempo "quase indeterminado". O certo é que serão alguns meses. Minha vontade é voltar em janeiro de 2009. Para isso, vou estudar uma maneira de fazer algo interessante de verdade. Quero entrar nesse mundo do podcast, quero criar uma página que seja visitada, prestigiada e que diga algo a quem a visite. E vocês devem concordar que não é isso que vinha ocorrendo.

São muitas idéias, mas quero detalhar tudo isso em minha cabeça para colocá-las em prática com qualidade. Espero voltar daqui a uns meses. Com fôlego renovado, com pique de fazer um blog relevante

Um abraço a todos os cinco ou seis visitantes desse blog!

E até a volta

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Quarta-feira de cinzas

Esse texto foi um exercício para um curso de criação literária que eu fazia. Não cheguei a entregá-lo, mas não quero me desfazer dele. Apesar de achar que falta algo. Quem quiser, pode opinar e dizer o que acha que falta.

O ponteiro pequeno estava no seis. O grande, no dois. Seis e dez da manhã de uma cinza quarta-feira de cinzas. Ela tinha escolhido passar a última noite de carnaval comigo e agora estávamos ali, em frente à estação de trens da Avenida Ana Costa. Tinha passado a última noite de carnaval comigo porque aquela era a última noite que ela passaria comigo, de qualquer jeito. Foi uma espécie de prêmio que ela me deu por ser tão bom pra ela. Mas eu nunca quis ser bom pra ela, queria mesmo era ser imprescindível. Preferia que ela me achasse uma pessoa ruim, mas que não conseguisse viver sem mim. Mas eu nunca conseguiria isso. Nem com ela e nem com ninguém

O baile estava cheio, e Isabella não saiu do meu lado um só instante. Mesmo assim eu estava meio desconcertado. Preferia passar o carnaval em casa.

Ela me contou que iria embora enquanto lanchávamos uma noite na lanchonete de um amigo. O pai tinha sido transferido pra Miracatu, no Vale do Ribeira. Ele já iria embora na semana seguinte, mas deixaria a mulher e as duas filhas pra arrumar a mudança. Isabella tinha 18 anos e não ofereceria muita resistência. Na verdade eu entendia que não havia mesmo como ela ficar sem um motivo forte como emprego ou faculdade. E eu, encarando a realidade, nunca seria um bom motivo para ninguém ficar.

E agora eu estava ali, sentado em cima da mala dela, que passamos pra buscar em sua casa depois do baile. A mãe tinha ido na véspera. Não me sentia cansado. Sentia como se uma frota de caminhões tivesse passado pro cima de tudo o que eu sentia e do que tínhamos vivido. Ela, apesar de ser dez anos mais nova que eu, era bem mais serena e sabia que não adiantava que trocássemos endereços. Eu ia escrever para ela meia dúzia de vezes, se tanto, ela responderia. Mas seria só isso, por toda a vida.

O trem sairia às sete. De onde estava sentado, a vi descendo as escadinhas da estação com o bilhete em mãos. Olhei novamente para o relógio no topo da fachada deteriorada. O ponteiro pequeno entre o seis e o sete. O grande, no oito. Vinte para as sete.

Ela me deu um beijo e sentou ao meu lado. Perguntou se eu não me importava com a garoa caindo. Respondi que não. É claro que não era com isso que eu me importava naquele momento. Ela ficou em silêncio, sentada ao meu lado com um ar angelical de quem queria mostrar que no fundo, não tinha culpa nenhuma daquilo tudo. Eu, como no fundo sabia que no fundo ela não tinha culpa, abracei ela e a beijei. O ponteiro grande entre o oito e o nove.

Tenho a nítida impressão que tudo acabou mesmo quando ela se levantou. Me puxou pelas mãos. Sorriu pra mim, talvez pela penúltima vez. Subimos aqueles três ou quatro degraus carregados de uma melancolia que só mesmo o amanhecer de uma quarta-feira de cinzas podia proporcionar. Com a diferença de que eu não estava triste por causa do fim do carnaval.

Cada passo que eu dei naquele saguão, em direção a plataforma mal cuidada, me fazia lembrar de cada uma das vivências que tive com ela. Desde o dia em que a conheci, num banquinho de praia numa tarde de inverno, até aquela última maldita marchinha naquele maldito baile. Eu olhava para as telhas no alto da estação, com pombas que pareciam dormir. E pensava que não era justo que eu passasse todo dia em frente a essa maldita estação pra lembrar desse maldito dia.

E quando ela parou, já pronta pra embarcar, me disse entre soluços que quis passar a noite em um baile porque quis misturar a última lembrança da cidade com a minha. E eu querendo que a cidade se danasse, não disse nada a ela. O mesmo relógio que eu vi na fachada da estação estava ali. Parecia perseguição. Os dois ponteiros em cima do sete. Olhei com raiva pro relógio. E um pouco dessa raiva sobrou pra Isabela também.

Nos beijamos. De um jeito que eu não esperava que fosse ser nosso último beijo. Ela entrou no trem e eu fiquei parado, como nos filmes. Um desses filmes em que não há final feliz. Há somente o final. E ponto. Dei a volta e nem sequer esperei o trem partir. Atravessei sozinho o saguão que há pouco atravessara com ela. E saí na chuva daquela cinza quarta-feira de cinzas. Olhei para trás pela última vez. O ponteiro grande no sete. O pequeno no um.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

segunda-feira, 12 de maio de 2008

E ainda por cima canta!



Mulher que não se conforma por ser feia, resolve cantar! É foda!

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Raconteurs - Consolers of the Lonely

Download

Eu tenho completa aversão pelo termo “roqueiro”.

Mesmo quando, aos meus 13 anos, gostava de Iron Maiden, Metallica e Black Sabath, essa nomenclatura me dava um certo desconforto. Na época, é claro que eu rejeitava tudo que não tivesse guitarras bem altas e/ou distorcidas. Só fui entender que música é muito mais do que aquilo alguns anos depois, mas isso é outra história.

Como o meu gosto por música é acumulativo, não deixei de gostar dessas coisas. Pra mim foi muito fácil descobrir blues, folk, jazz e música brasileira, porque meu pai sempre gostou de tudo isso. Então não me custou (e não custa até hoje) ouvir Powerslave* e Construção**, um atrás do outro.

Mas com o passar dos anos eu comecei a ficar alérgico a moleques cabeludos com camiseta preta cheias de caveiras ou monstros. Aqueles que não possuem o mínimo argumento para mostrar aos outros porque suas bandas favoritas são melhores do que as outras. Aqueles que vivem querendo convencer os outros disso, sem saber que gosto musical não se impõe. É por isso que quando alguém vem me falar sobre “atitude rock’n’roll” e tals me dá uma tremenda vontade de vomitar.

Porém, eu preciso falar aqui sobre um disco de rock’n’roll. Como nós todos somos eternas contradições, espero ao menos que essa seja aceitável.

Há um bom tempo que não surge nenhuma banda fazendo barulho e melodia numa sincronia tão perfeita quanto a que faz o Raconteurs. É sim, puro rock’n’roll, mas sem ser somente uma barulheira sem sentido. Talvez pelo fato de que as duas cabeças por trás da banda sejam caras que se firmaram no circuito alternativo com música que muitos talvez não considerem rock. Jack White, o famoso do grupo, é líder do White Stripes, banda cult já há uns bons cinco ou seis anos. Além dele, tem Brendan Benson, cantor indie-folk que se não é muito popular, é bem cotado nas rodinhas alternativas.

O Raconteurs surgiu há cerca de dois anos com o elogiadíssimo disco de estréia Broken Boy Soldiers, em que praticamente todas as músicas são excelentes. A banda, uma espécie de descanso das carreiras “oficiais” de seus líderes acabou tomando proporções que talvez eles não esperassem. E um segundo disco era inevitável.

E ele veio. Tirando a pressão pelo segundo disco, é um trabalho em que mais uma vez o peso das guitarras se coloca a serviço das melodias. A impressão é a de que faltou muita coisa a ser dita em Broken Boy Soldiers e que a banda resolveu dizer tudo de uma vez agora. Destaque para a faixa título, Consolers of the Lonely, misturando swing com guitarras de hard-rock da melhor qualidade.

Logo vem You don’t me understand, uma balada de baixo e piano com vocal e backings muito bem elaborados. Old Enough entra logo em seguida para mostrar, com sua harmonia folk, a diversidade das composições. Coisa que segue ao longo do disco. A seqüência inicial se encerra em grande estilo com The Switch and the Spur, minha preferida. Com metais que chamam tanto a atenção quanto os de Conquest, do mais recente disco de Jack pelo White Stripes.

Depois disso ainda tem muita coisa boa. Hard Rock, blues, guitarreira suja beirando o punk, folk e baladas. Um disco que prova de vez por todas que o Raconteurs deve imediatamente deixar de ser considerado apenas um projeto paralelo.

* Iron Maiden
** Chico Buarque

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Pra não dizer que não disse nada em abril...



Foi o que valeu ter ido pra Virada Cultural. Foi bacana por causa da turma, da desencanada depois da semana corrida. Mas eu podia ter escolhido shows melhores. Tirando esse aí, que foi foda. Muito bom!

domingo, 23 de março de 2008

Eu queria ser um imbecil

A primeira vez que eu vi Sarah foi na fila do cinema. Ela estava na minha frente com o imbecil do namorado. A gente conhece um imbecil de longe e aquele cara tinha todo o jeito de ser um. Mesmo assim, ali, naquela fila de cinema, eu senti inveja dele. Senti inveja por ele estar com Sarah, uma menina linda por quem eu acabara de me apaixonar só por causa de um simples jogar de cabelos pra trás.
Naquele momento eu senti vontade de ser imbecil um pouco e só me preocupar com carros e baladas. Não que eu fosse um gênio, embora todo gênio tenha sua dose de imbecilidade. Não era, mas eu sabia que também não era nenhum idiota. E se fosse pra ter aquela menina linda ali comigo, naquela fila de cinema, eu até toparia ser um completo idiota.
Ela queria ver o novo filme do Woody Allen. Ele, “Tempestade de Ossos 4”. Brigavam. E eu pensando como é que alguém podia brigar com uma garota como aquela. Ele, cheio de si, decidiu sozinho que cada um iria ver seu filme e depois se encontrariam. Eu, que já tinha visto o filme do Woody Allen, juro que não pensei duas vezes e comprei ingresso pra ver de novo. Entrei na sala e, meio hesitante, sentei ao lado dela, que parecia chorar baixinho. Assim que me sentei a seu lado, percebi que minha cara-de-pau só me permitiria chegar até ali. Minha insegurança não me deixaria ir além. E então eu fiquei ali, olhando pra ela.
Ela estava com a cabeça encostada na poltrona, o cabelo jogado na cara. Ali, à meia luz com que a sala fica iluminada antes de começar os traillers, parecia ainda mais bonita. Fiquei olhando pra ela, abraçada aos joelhos e com os pés na cadeira, por um bom tempo, até que ela, sem olhar pra mim, de repente me surpreendeu:
- Você gosta de Woody Allen?
Mal pude disfarçar minha timidez e minha vergonha por ter sido descoberto. Mas me enchi de uma coragem que não tinha e resolvi ir em frente:
- Gosto muito. Na verdade, esse filme eu já vi.
- E porque entrou aqui?
- Impulso. Vi você entrando e fiquei com vontade de ver de novo
Ela deu um sorriso e me olhou pela primeira vez nos olhos. Foi quando eu tive a certeza de estar completamente entregue.
- Sabe de uma coisa? – ela disse, ainda me olhando e sorrindo.
- O que?
- Também já vi esse filme!
- E porque entrou?
- Queria um pretexto pra brigar com ele. - Apontando com a cabeça na direção da porta.
- Porque você simplesmente não foi embora?
- Por que não!
- Quer ir embora agora?
Só Deus sabe a força que reuni pra dizer estas palavras. Ela voltou a olhar para o vazio acima de nossas cabeças, jogou os cabelos pra trás, deu um sorriso, uma mordida nos lábios que me quase me matou, e levantou. Foi caminhando até o fim da fileira de cadeiras e eu continuava sentando, olhando ela caminhar. Quando chegou no corredor, olhou pra trás e disse, sorrindo:
- Você não vem?